Hemominas oferece atendimento ao paciente com doenças do sangue em Minas Gerais

Atendimento ao paciente na fundação tem acompanhamento especializado e focado na qualidade de vida. Instituição atende cerca de 8 mil pessoas

Por Admin 03/10/2017 - 15:16 hs
Foto: Adair Gomez
Hemominas oferece atendimento ao paciente com doenças do sangue em Minas Gerais
Para atender o paciente, a Fundação Hemominas dispõe de uma equipe multidisciplinar formada por especialistas de diversas áreas da saúde. Foto: Adair Gomez

A  Fundação Hemominas é referência para diagnóstico e tratamento de pacientes com algumas doenças do sangue em Minas Gerais. A partir de princípios como respeito e valorização do ser humano, em compromisso com a melhoria contínua para produzir saúde com excelência, a instituição atende cerca de 8.000 pacientes em tratamento nos ambulatórios existentes em suas várias unidades no estado.

No enfrentamento às doenças do sangue, a Hemominas acompanha pessoas com coagulopatias hereditárias (hemofilias A e B, Doença de von Willebrand, trombocitopatias e outras deficiências hereditárias de fatores da coagulação), de hemoglobinopatias (hemoglobina SS, drepanocitose ou anemia falciforme, Hb SC e talassemias), além daqueles que necessitam de transfusão de sangue ou sangria terapêutica.

Para atender o paciente, a Fundação dispõe de uma equipe multidisciplinar formada por especialistas de diversas áreas da saúde. A clínica médica e hematologista, Ana Luiza Roscoe, que trabalha na fundação desde 2009, é a responsável pela equipe do ambulatório do Hemocentro de Belo Horizonte (HBH). Ela destaca os tipos e a importância do atendimento fornecido no local.

“Fazemos o acompanhamento médico com hematologista, infectologista, ortopedista, fisiatra, fisioterapeuta e neurologista. Na equipe multiprofissional temos, ainda, o acompanhamento feito por psicólogo, assistente social, pedagogo, enfermeiro, dentista e farmacêutico, entre outros, de extrema importância para os pacientes”.

A maioria dos pacientes do estado recebe tratamento na fundação, fato que também contribui para o aperfeiçoamento dos profissionais da rede: com a prática, eles adquirem mais experiência e expertise no acompanhamento destas doenças.

“O que sempre me chamou a atenção foi a dedicação que todos os profissionais aqui do ambulatório atendem aos pacientes e se preocupam com eles. A prioridade é sempre o melhor atendimento. Isso é tocante, é um trabalho feito com amor e comprometimento. Nós nos sentimos privilegiados por mantermos tal atendimento”, comemora Ana Luiza.

Acompanhamento

O trabalho da equipe é referência em todo o processo pelo qual passa uma pessoa com alguma doença sanguínea. Ela é acompanhada mediante periódicas avaliações laboratoriais, médica, odontológica e fisiátrica. A maioria dos pacientes do ambulatório é portadora de hemoglobinopatias, principalmente de anemia falciforme. 

Um exemplo é a jovem Vanderléia Sales do Nascimento, de 24 anos. Natural da Bahia, ela precisou se mudar para Belo Horizonte em busca de tratamento.

“Estava tendo muitas crises de dor e possuía um alto histórico de internações, inclusive na UTI, onde tive uma parada cardíaca e fui informada que se passasse por uma outra situação semelhante não suportaria. Como não havia tratamento onde eu morava, mudei-me para Belo Horizonte e fui encaminhada à Hemominas para fazê-lo”, relata.

Os sintomas de Vanderléia apareceram na infância:  começou a sentir fortes dores nas pernas, com desmaios frequentes, porém, ainda não sabia o que se passava. Os médicos informaram que ela tinha anemia; entretanto, não compreendiam o grau e o nível da doença. A partir dos 14 anos, as idas ao hospital tornaram-se rotineiras, afetando inclusive os estudos. Foi nesse momento que a jovem descobriu que se tratava de anemia falciforme.

Ao chegar à Hemominas com frequentes crises dolorosas, Vanderléia foi recebida pela equipe ambulatorial, pois necessitava de transfusões para se recuperar. Na atualidade, a paciente toma medicações que conseguem controlar tais ocorrências.  Recebe, também, atendimento e acompanhamento de dentistas e hematologistas do ambulatório.

“Faço meus tratamentos aqui e também sou encaminhada para exames de vista, cardiologia, nefrologia, além de retirar meus remédios na farmácia”, acentua. Referindo-se ao atendimento recebido na Fundação, ela ressalta a importância dele para melhorar sua qualidade de vida.

“Meu tratamento com a médica é ótimo, ela nos auxilia, tira todas as nossas dúvidas. Já a dentista do ambulatório entende a nossa situação e sabe que precisamos de um cuidado especial. Eu estava lá na Bahia, morrendo de dores, mas, ao chegar aqui, encontrei o atendimento que precisava; nem sabia que existiam remédios que pudessem me ajudar. Então, graças a esse auxílio agora posso ter uma ‘vida normal’, ressalta Vanderléia.

Outro paciente atendido pela Hemominas é o garoto Gabriel de Assis Siman, de quatro anos. Aos cinco meses de idade, a família descobriu que Gabriel é portador de hemofilia. Atualmente ele faz acompanhamento no ambulatório uma vez por semana - recebe Fator e se consulta com o psicólogo.

Assistência como direito

Minas Gerais foi o primeiro estado a implantar a triagem neonatal (teste do pezinho), colocando as hemoglobinopatias no “painel de busca” dos recém-nascidos. Assim, ser diagnosticado desde cedo faz uma grande diferença, como aponta a. Ana Luiza: “Como Minas Gerais começou a implantar esse processo, e a referência de atendimento foi o Hemocentro de Belo Horizonte (HBH), adquirimos uma experiência muito grande acompanhando muitos pacientes desde o início de sua vida”, aponta.

No ambulatório, que atende pacientes e familiares de diversos municípios do estado, o Serviço Social também assume papel relevante, como destaca a assistente social, Nadma Dantas Silva.

“A intervenção do Serviço Social inicia-se por meio de encaminhamentos da equipe multidisciplinar, médica e/ou demanda espontânea. As principais intervenções feitas pelo setor são de demandas de ordem social: acolhimento às famílias de crianças diagnosticadas com hemoglobinopatias pelo Programa de Triagem Neonatal; avaliação para a inclusão de pacientes nos Protocolos de Tratamentos para Coagulopatias do Ministério da Saúde; Tratamento Fora do Domicílio (TFD); orientação em relação as consultas especializadas e exames; orientações em relação aos benefícios assistenciais e previdenciários; encaminhamento à rede de saúde, educação, assistência, entre outros.  O Serviço Social se encarrega, ainda, da orientação e conscientização de pacientes e familiares com dificuldades à adesão e acesso aos tratamentos”, comenta Nadma .

Outra preocupação é instruí-los quanto aos direitos à saúde, à assistência e educação. Por isso, o ambulatório também atua na perspectiva de emancipação dos pacientes e familiares em relação aos seus direitos, na construção de vínculo e confiabilidade.

Na prática cotidiana, diversos tipos de situações que exigem intervenção surpreendem os profissionais do Serviço Social.  Nadma relata um quadro no qual pôde observar a diferença e importância do atendimento no ambulatório para o paciente.

“As histórias que chegam ao setor são diversas. Uma mais recente marcou esses últimos meses: o Serviço Social tem feito acompanhamento constante de pacientes que não têm boa adesão ao tratamento. No início de 2017, recebemos um paciente adolescente, diagnosticado com Doença Falciforme SS, e que ficou internado 100 dias no CTI, no interior de Minas Gerais, devido a uma pneumonia. Nesse período, no processo de tratamento intensivo foi acometido por Acidente Vascular Encefálico (AVE)", conta a assistente social.

Nadma revela que, na época, o paciente morava com o pai, sem a companhia da mãe, e não tinha boa adesão ao tratamento, com dificuldades de entender a importância do autocuidado. No início de maio, então, o pai e o jovem compareceram à consulta, causando comoção e surpresa à equipe do ambulatório, devido ao quadro clínico apresentado pelo paciente.

"Após o AVE, ele ficou com sequelas físicas importantes, muito magro, agitado, choroso e um pouco assustado. O pai foi acolhido e orientado pelo serviço social, farmácia e médica assistente, mas nos deixando um questionamento: como essa família vai cuidar do adolescente? Então, acolhemos; organizamos todos os documentos; a farmacêutica fez uma planilha para organizar as medicações com os horários e as dosagens certas; a médica assistente fez vários relatórios para a rede, solicitando acompanhamento e, principalmente, reabilitação", lembra.

Neste contexto, o Serviço Social, segundo Nadma, fez contato no Centro de Saúde em sua área de abrangência e o caso foi discutido. Na ocasião, foi solicitada visita e acompanhamento da família.

"Após o esforço, o paciente conseguiu ter uma boa adesão ao tratamento: vem às consulta e transfusões regulamente, usa o transporte da saúde (TFD), está em processo de reabilitação, faz uso da medicação Hidroxiureia (medicamento de alto custo fornecido pela Farmácia de Todos), cuja função principal é prevenir complicações graves. A família está sendo acompanhada pelo Conselho Tutelar, Vara da Infância e Juventude, pelo serviço de saúde da sua cidade e pela equipe do Hemocentro de Belo Horizonte”, celebra Nadma, emocionada com o desfecho do caso.

"O Serviço Social trabalha na perspectiva de orientações contínuas, visando à melhoria da qualidade de vida do paciente e de sua família, oportunizando aos pacientes a melhor adesão e acesso as informações para que eles tenham o tratamento adequado e vida plena” conclui.
  
Coagulopatias e hemoglobinopatias

Hemoglobinopatias é um grupo de doenças do sangue em que ocorre alteração na produção da hemoglobina, sendo as mais frequentes representadas pela Doença Falciforme e a Talassemia. Por sua vez, coagulopatias hereditárias são doenças hemorrágicas de uma ou mais das proteínas plasmáticas (fatores) da coagulação (hemofilias A e B, doença de von Willebrand, trombocitopatias).

O paciente deve procurar uma das unidades de atendimento com a documentação necessária, incluindo o encaminhamento do médico que realizou o diagnóstico da doença (solicitação para que a pessoa receba o tratamento). 

“Nós precisamos de um diagnóstico elaborado que confirme a doença. Já para a pessoa que possui um histórico com problemas de coagulação, o procedimento é diferente: se ela possui um quadro de muito sangramento, ela deve ir ao ambulatório onde o quadro será investigado. Também atendemos pacientes externos que não são acompanhados no ambulatório, mas encaminhados por seus médicos particulares que nos solicitam a realização de alguns procedimentos (no plantão médico) como transfusões, tanto de hemácias como de plaquetas ou plasma, e sangrias terapêuticas. O médico atende esses pacientes, verifica se eles possuem condições clínicas e os encaminha à equipe de enfermagem”, esclarece a hematologista, Ana Luiza Roscoe.

As unidades que atendem pacientes com coagulopatias são os Hemocentros de Belo Horizonte, Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Pouso Alegre, Uberaba e Uberlândia; os Hemonúcleos de Ituiutaba, Divinópolis, Manhuaçu, Passos, Patos de Minas, Ponte Nova, Diamantina, São João del-Rei,  Sete Lagoas.

Já os pacientes de hemoglobinopatias são atendidos nos Hemocentros de Belo Horizonte, Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba, Uberlândia; Hemonúcleos de Diamantina, Divinópolis, Manhuaçu, Patos de Minas e Sete Lagoas.

(via Agência Minas)