Minha experiência com Geddel Vieira Lima

Por Nilton Eduardo Castilho (*)

Por Admin 29/08/2017 - 17:43 hs
Foto: Reprodução/Facebook
Minha experiência com Geddel Vieira Lima
Comitiva de Araguari em Brasília, com o então vice-presidente da República, José de Alencar, em foto de 2007

DivulgaçãoO ano era 2007, em fevereiro a então bela passarela da Av. Cel. Teodolino Pereira de Araújo havia desabado num extenso trecho de quase 700 metros.

A cidade ficou atônita com aquele acontecimento. Além do transtorno natural de mobilidade urbana, pois o trecho possuía e possui grande importância no fluxo bairros-centro-bairros, era então um dos belos cartões postais da cidade, além de "Point" das atividades físicas de centenas e centenas de araguarinos.

À época eu estava no penúltimo ano como Presidente da ACIA [Associação Comercial e Industrial de Araguari] e, em parceira com todas as demais entidades de Araguari, com a Câmara Municipal e Prefeitura, iniciamos nossas peregrinações em busca de recursos, tanto no Estado, quanto junto ao Governo Federal.

Meses antes havia recebido o então Vice-Presidente da República José de Alencar, na ACIA (por conta de sua campanha para reeleição presidencial).


O então Prefeito da época, Marcos Alvim, havia anteriormente providenciado uma reunião em Brasília, ao mesmo tempo em que convidou diversos integrantes para àquela comitiva e me deixou à vontade para convidar empresários e outros agentes de relevância para o assunto.

O mineiro, de trajetória ilibada, que tinha muito apreço pela cidade e pelos araguarinos, tratou pessoalmente de receber a nossa comitiva em seu Gabinete da Vice-Presidência.

Depois de mais de uma hora de audiência, José de Alencar ligou para o Presidente da República (que estava em voo); curiosamente a Chefe da Casa Civil da época era Dilma Rousseff, para quem Lula passou a ligação e sobre quem Alencar comentou, após desligar:

- "Falamos com quem manda no Ministério, ela já orientou que vocês procurem ainda hoje o Ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira, e diga a ele que eu, José de Alencar, determinei que Araguari seja atendida imediatamente!"

Felizes, parte de nossa comitiva retornou para Araguari, em razão do horário, e uma pequena parte, dentre estes eu, ficamos para a tal audiência com Geddel, às 19 h.

Baiano, sorridente, bem falante, Geddel nos recebeu em seu Gabinete no horário previsto, e com muita cordialidade. Mas por trás do seu jeito de bom baiano, com apenas dez minutos de conversa percebemos que se tratava de uma personalidade pouco confiável.

Frases dele, sobre o nosso problema e sobre o saudoso vice-presidente:

"O Alencar mandou vocês aqui para serem atendidos? Ele mandou o dinheiro? Disse de onde vou retirar? Meus amigos: o meu compromisso é com a Bahia, tenho dezenas e dezenas de pedidos de lá que tenho que atender, antes de atender a vocês. Esqueçam tudo o que o Vice-Presidente falou, pois ele não manda em nada! Não tenho dinheiro para mandar para Araguari, procurem outra solução para vocês!"

Atônitos, eu, e os demais colegas marcados nesta publicação, ficamos sem palavras. Lobão [Gilberto Thomás da Silva], então diretor da ACIA, já indicado a me suceder um ano depois, ainda insistiu, com sua simpatia peculiar: "Mas Geddel... foi o Zé de Alencar quem nos mandou aqui... Você está certo disso?!?". Geddel repetiu a mesma ladainha e por muito pouco, Lobão se esqueceu que ele era um Ministro de Estado, o tratando-o como ele realmente merecia: como um cidadão que não tinha a menor condição de ocupar aquele alto cargo na República.

O Prefeito da época, Marcos Alvim, também se exaltou com Geddel, tão intensamente quanto o amigo Lobão, de maneira que a situação ficou extremamente tensa.

Voltamos decepcionados!

Uma semana depois, em audiência com o então Vice-Governador de Minas, obtivemos a conquista de R$ 10,4 milhões (suficientes para fazer a obra).

O Vice-Presidente, José de Alencar, foi informado do fato e, no dia 28/08/2007, anunciou a liberação de R$ 6,9 milhões para a cidade (que foram então, destinados as obras de cobertura do trecho da Av. Teodolino compreendido entre a "Casa Lopes/Dona Aurora" até a CDL).

Ao final, todo o nosso esforço (resumido neste "pequeno-grande" texto) foi recompensado acima de nossas expectativas, pois resolvemos dois problemas: o trecho desabado e o trecho que faltava a cobertura.

Mas ficou entre nós a figura do Geddel, motivo de risos sempre que nos lembrávamos daqueles minutos tensos e inusitados que vivemos.

Saímos do Gabinete dele com a exata impressão de qual tipo de político ele era.

O tempo nos mostrou que estávamos certos, exatos 10 anos depois.

O tempo sempre é o Senhor da razão!

(*) Nilton Eduardo Castilho é empresário, editor da revista Classe A - Araguari e Uberlândia

(**) Texto publicado originalmente no Facebook, na página do autor.