Festas juninas diversas movimentam a agenda cultural e turística das cidades de Minas Gerais

Celebrações dos três santos do mês – Santo Antônio, São João e São Pedro – são realizadas por cidadãos mineiros de várias raízes e localidades

Por Admin 24/06/2017 - 09:39 hs
Foto: Consuelo Abreu
Festas juninas diversas movimentam a agenda cultural e turística das cidades de Minas Gerais
Festas Juninas esquentam calendário cultural mineiro (Foto: Consuelo Abreu)

O espírito das festas juninas aquece as noites, por Minas Gerais, neste mês que marca o início do frio no estado. Comidas típicas, quadrilhas e roupas, cheias de xadrez e cores, enfeitam os momentos que celebram também os santos de junho – Santo Antônio, São João e São Pedro. Além disso, em alguns lugares do estado, somada a essas características, a comemoração ainda ganha atrações diferenciadas, que resgatam tradições de grupos da sociedade.

Na comunidade quilombola de Mato do Tição, conhecida como Matição, no município de Jaboticatubas, no Território Metropolitano, por exemplo, as manifestações juninas são perpetuadas desde a época em que a localidade era um quilombo – áreas onde os negros se reuniam e resistiam à escravidão. A lista de atividades é grande, mas o ápice da festividade acontece à meia-noite do dia 23 de junho: os festeiros caminham sobre as brasas da grande fogueira.

Foto Consuelo Abreu
O 'andar sobre brasas' na festa junina em comunidade quilombola de Jaboticatubas
(Foto: Consuelo Abreu)

A festança acontece na casa de Dona Divina que, com seus 86 anos, é a matriarca do quilombo. Sua nora, uma das organizadoras do evento, Marilene Gonçalves Pinto, explica que o caminhar na brasa é um simbolismo de fé. Para isso, a grande fogueira é desfeita, formando uma esteira de brasas.

Foto Consuelo Abreu
Grande fogueira sendo construída em Matição
(Foto: Consuelo Abreu)

Eles entendem como um sacrifício em que o pedido – aos gritos de Viva São João - passa por um momento sagrado para, futuramente, encontrar sua graça. Mas tudo é feito num rompante de alegria e celebração”, conta.

Também como uma amostra da cultura africana, há muita dança na noite de São João em Matição. Para Marilene, o movimento, chamado candongo, é uma exaltação ao passado.

“O gingado dos corpos expressa o sofrimento que os escravos viveram nas senzalas. As letras dos cantos são originadas do latim e nunca foram escritas, o repasse acontece pela tradição oral”. Para embalar o coro, são usados instrumentos como Tambú, a Caixa, o Guaiá e a Puíta.

A Festa Junina de Jaboticatubas é a primeira manifestação cultural da cidade, tombada como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan).

Bebendo da fonte das festas juninas nordestinas, acontece, em Salinas, no Território Norte, uma manifestação muito peculiar e recheada de atrações. Fogueiras espalhadas em cada esquina movimentam a cidade, com suas várias ruas interditadas, com aval da prefeitura, para uma festa mais espaçosa e segura.

Eleonice Soares, professora e uma das realizadoras da Festa de São João, conta que a expectativa para a festa toma os moradores semanas antes da data. “Dias antes das noites de festa, a cidade já fica muito bonita, toda enfeitada com bandeirolas e balões, que colorem as ruas. Vários cozinheiros da cidade se dedicam a fazer as comidas típicas. Na noite do dia 27, fogos em homenagem a São Pedro iluminam o céu da cidade”, revela a professora.

Outro momento muito aguardado é o tradicional roubo das bandeiras. “Bandeiras dos três Santos lembrados em junho são colocadas na frente das casas, desde o começo do mês. Ao longo dos dias, essas bandeiras são ‘afanadas’ e um bilhetinho é deixado para o dono. No Dia de São Pedro, o último santo celebrado, a bandeira é devolvida, sempre num clima de brincadeira e festa”, explica.

O município de Machacalis, no Território Mucuri, onde há a comunidade indígena Maxacali, festeja com quadrilhas, casamento da roça, pau de sebo, quebra pote, comidas típicas e muito forró. O evento tem atrações neste fim de semana (23 e 24 de junho).

Para estimular e fortalecer essa expressão cultural tão indissociável da nossa identidade, a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) mantém dois editais anuais nos quais a inscrição de projetos ligados à tradição junina é bem-vinda. Trata-se do Fundo Estadual de Cultura, que incentiva propostas artístico-culturais com recurso direto do tesouro estadual.

A segunda iniciativa é a Lei Estadual de Incentivo Cultural, que isenta empresas do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que desejem patrocinar projetos. Saiba mais sobre os editais em: www.cultura.mg.gov.br.

A Secretaria de Estado de Turismo (Setur-MG) também participa ativamente da evolução das festas juninas de Minas Gerais. A 39ª edição do Arraial de Belô, que irá atrair um público de aproximadamente 120 mil pessoas, realizará, ainda, o Concurso Estadual de Quadrilhas 2017, que irá trazer para a competição grupos de Minas Gerais. Confira programação completa em: www.arraialdebelohorizonte.com.br .

(via Agência Minas)