Águas mineiras

É de lá [Soledade de Minas] que o Rio São Francisco também recebe água através de um de seus afluentes, o Rio Verde, que vem da Mantiqueira, cumprimenta o território soledadense, seguindo seu curso até despejar no Velho Chico, a cumprir sua missão de integração nacional.

Por Inocêncio Nóbrega 06/09/2017 - 11:35 hs
Águas mineiras
Soledade de Minas, localizada no Circuito das Águas, na Microrregião de São Lourenço.

DivulgaçãoInocêncio Nóbrega
Jornalista
inocnf@gmail.com 

É vasta a literatura sobre as secas no nordeste brasileiro. A imprensa da região tem debatido, com amplitude possível, suas causas e efeitos, baseando-se em histórias de ficção, tradições de nossos ancestrais, comportamentos culturais e estudos científicos. Foram muitas as profecias e crendices que tomaram conta das populações mais atingidas.

Há registros de estiagens, prolongadas ou não, desde 1559, quando os índios dos sertões buscam refúgios nos litorais nordestinos. Na de 1844, uma das providências do governo imperial foi a de recrutar parte desses necessitados para o campo de lutas, na Guerra dos Farrapos. A de 1877, a mais desesperada de todas, cobriu o próprio território gaúcho.  Técnicos do CTA concluíram  que de 26 em 26 anos há uma tendência de longos períodos de estio, em média de seis a sete anos.

Num desses, o de 1984, o presidente João Figueiredo chegou a declarar, depois de visita ao Recife, sede da Sudene, de que “se o problema é água, o que falta é água, então vamos à água...”. Mas suas boas intenções deram em “burro n’agua”, isto é, em nada. O tema era abordado nos gabinetes, nos parlamentos, nas praças, nas esquinas. Não só a sede envolvia nossos irmãos do nordeste, mas a fome, também. Sem haver safras, consequentemente faltavam alimentos. Apenas algumas frentes de trabalho.

Minha Soledade, da Paraíba encontrava-se nessa situação, igualmente em 1984.  Ela não esquece o gesto humanitário de sua co-irmã Soledade do Rio Grande do Sul, que a enviou dois caminhões de mantimentos, pessoalmente entregues por uma comitiva de quatro patrícios, comandada pelo professor Paulo Borges. Integravam-na: sua esposa, Eliane Borges, Frei Cirilo, da paróquia Nossa Senhora da Soledade, e o jornalista João Alberto de Souza, todos do meu ciclo de amizades.

Agora, a solidariedade se volta para Soledade de Minas, entre outras. É de lá que o Rio São Francisco também recebe água através de um de seus afluentes, o Rio Verde, que vem da Mantiqueira, cumprimenta o território soledadense, seguindo seu curso até despejar no Velho Chico, a cumprir sua missão de integração nacional. De águas mraculosas, que vão dessedentar 12 milhões de brasileiros. Um outro, a sub-bacia Ribeirão Boa Vista, tributário do Rio Itapecerica, e este do Rio Pará de Minas, o qual igualmente deságua no Velho Chico. 

Eis o milagre da tecnologia, só possível a acontecer com a ação de dois presidentes, Lula e Dilma. Soledade, portanto, agradece às ambas Soledade. Município do semiárido paraibano, de 14 mil habitantes, hoje às voltas de intenso frio, nos seus 560 m de altitude, acima do nível do mar: 16 º, habituada a uma média anual entre 26 e 27º, podendo alcançar 30º. Satisfeitos com a água que chega as suas torneiras, resignados dizem que não passa de um revide de São José e São Pedro, pois São Chico invadiu sua área de devotos.